Partimos de Chillán em direção ao sul sem saber exatamente em que ponto da cordilheira iriamos atravessar. Mas nosso objetivo era cruzar e alcançar a Argentina.
Começamos a rodar por volta das 10h da manha. Após percorrer algum tempo resolvemos parar para abastecer e almoçar. Paramos em um posto de combustível onde havia três restaurantes, almoçar um restaurante legal seria bem agradável naquele momento. Entretanto, quando chegamos mais perto percebemos que os três restaurantes estavam fechados. Perguntamos ao frentista o motivo e ele nos disse que era feriado nacional e tudo estava fechado hoje. No Brasil um restaurante na beira da estrada abre todos os dias, independente de ser ou não feriado. Além de que em um feriado as estradas costumam ter mais movimento do que nos demais dias. Ficamos surpresos e decidimos procurar qualquer estabelecimento aberto.
O único estabelecimento aberto que encontramos não tinha muita coisa, para não dizer que não tinha nada. Depois de uma longa conversa eu pedi arroz e frango e meu pai pediu arroz e salada de maionese. No final do almoço tinha sobrado tanto o frango no meu prato, quanto à salada de maionese no prato dele, ambos não estavam aptos para o consumo. E isso não foi frescura, mas não dava para comer mesmo.
Logo que voltamos a rodar começaram a aparecer no horizonte diversos picos, e a cada quilometro rodados nos aproximava mais deles. Estávamos desconfiados de que eram vulcões e depois de algum tempo vimos uma placa informando parada para observar vulcões. Paramos e subimos no observatório. Tentem imaginar a visão do alto do mirante para três vulcões. Estávamos vendo três arvores!! Exatamente na direção de cada vulcão tinha uma arvore posicionada na frente, tampando toda a visão.
Após rodar algum tempo encontramos uma passagem nas cordilheiras que saia de Victoria (Chile) em direção a Zapala (Argentina). No mapa a estrada apontava para Neuquem, uma grande cidade na Argentina, que estava em nosso roteiro inicial. Pegamos a saída, uma estada boa de uma única faixa, cheia de curvas, subidas e decidas. Fizemos uma parada para tirar fotos do vulcão (já bem longe do observatório).
Mas pra frente, na mesma estrada encontramos outro observatório. O mirante estava bem desgastado, mas dava uma boa visão para os vulcões e tiramos algumas fotos de lá.
Continuando na estrada, muitos quilômetros a frente, começamos a encontrar neve nas bordas do asfalto, estávamos chegando perto das cordilheiras. Paramos para tirar foto de uma ponte de madeira que cruzava um rio. Pouco antes de tirar as fotos na ponte resolvemos beber a agua do rio, mas a agua estava tão gelada que mal consegui ficar com a mão submersa alguns segundos. Pensei que meus dedos iam se desgrudar a cair da minha mão, naquele momento já não estava sentindo mais nada rsrs
A ponte era totalmente insegura, ficava balançando e dava até pra ver o rio pelos buracos na estrutura de madeira.
De volta a estrada passamos por muitas pousadas, retiros e vilarejos nas montanhas, todos muito bonitos nas montanhas, retiros e tudo mais, alguns vilarejos muito bonitos. Fiquei até pensando que não seria má ideia se esconder em algum lugar daqueles. Mais a frente nos deparamos com um túnel de uma faixa bem estreito. O túnel tinha 4,5km, mas quando saímos do outro lado à paisagem era totalmente outra, com muita neve e muito mais frio. Como estávamos a 1200 m de altura em relação ao nível do mar sabíamos que aquilo seria só o começo da brincadeira.
Decidimos passar a noite na ultima cidade do Chile antes da fronteira, pois estávamos com pouco combustível e já era 16h. A cidade era muito bonita, bem organizada, quase um ponto turístico. Dentro da cidade, no posto de combustível não aceitavam cartão de credito e como não tínhamos nem 10 pesos no bolso, fomos obrigados a procurar uma pousada e tentar encontrar um banco para sacar dinheiro. Achamos uma única pousada que encontramos não aceitava cartão. Decidimos ir ao banco e sacar, mas não conseguimos! Contando todas as moedas reunimos um total de 8 pesos! Como a Falcon estava quase sem nenhum combustível e não tínhamos lugar para dormir no meio das cordilheiras, resolvemos os oito pesos de combustível na moto do meu pai e tentar chegar na Argentina na esperança que tivesse algum posto de combustível que aceitasse cartão. A distancia até a fronteira naquele momento era de aproximadamente 100 km.
Começamos a andar em um ritmo mais acelerado, pois estávamos correndo contra o tempo. Chegamos na fronteira e desta vez a aduana do Chile ficava a 20km da aduana da Argentina. Fizemos os tramites legais e saímos para o cume das cordilheiras. Nessa parte do percurso havia muito mais neve e a paisagem estava maravilhosa.
Do outro lado da fronteira, um brasileiro trabalhava na aduana da Argentina. Desta maneira os tramites legais foram bem mais simples e voltamos para a estrada rapidamente. Neste momento o sol já estava se ponto e ainda tínhamos que abastecer.
Percorremos cerca de 50 km até uma cidade chamada Las Lajas. Como não tínhamos muitas opções decidimos tentar alguma pousada na cidade. A cidade estava totalmente deserta, não tinha nada e estávamos com receio em relação a nossa segurança. Com certeza se tivéssemos opção iriamos para outra cidade.
Tentamos parar um pedestre para perguntar se havia algum hotel na cidade, mas a pessoa praticamente saiu correndo. Por sorte uma pessoa que passava de carro escutou a nossa conversa e resolveu nos guiar até o hotel (provavelmente o único naquele vilarejo). Para nossa alegria o hotel aceitava cartão de credito.
O hotel era basicamente um “puxadinho” na casa do proprietário. Colocamos as motos na garagem da casa e dirigimos para o quarto. Estranhamente no nosso quarto havia uma pequena cozinha com fogão e geladeira, e o nosso café da manha do dia seguinte já estava lá. Agua para esquentar, café solúvel e bolacha de água e sal com algum tipo de geleia. Como estávamos com fome, jantamos o nosso café da manha e fomos dormir.
Ps.: Esta cada vez mais difícil achar tempo, computador e internet para poder postar.
Æ!!
ResponderExcluirMuito legal! Quero ver essas fotos! Faça um novo post, ou pelo menos dê um jeito de avisar quando upar elas! :D
Há braços