7º dia, o dia que cruzamos a cordilheira.
O 7º dia começou com um belo café da manha no hotel e a sensação de falta por não ter trazido um laptop. Até agora todos os hotéis e até alguns postos nas estradas tinham Wi-Fi aberto, seria bom poder atualizar o blog com mais frequência e não ter que ficar fazendo anotações no papel para não esquecer nada.
Após o café da manha fomos para a porta da oficina esperar ela abrir. Dessa vez o mecânico não teria como fugir. Pois no dia anterior ele tinha fugido pelos fundos. Hoje estávamos esperando ele abrir pela porta dos fundos rsrs... Compramos os rolamentos, e enquanto meu pai ficou aguardando ele trocar fui dar uma volta e conhecer um pouco mais da cidade.
Ao andar pela cidade quase cair em uma das muitas valas. Em muitas ruas o canteiro (também conhecido como meio fio) é um buraco relativamente fundo. Até agora, durante todo o percurso que fizemos pela Argentina, a população param os veículos sobre a calçada, e aqui não iria ser diferente, apenas com um pouco mais de cuidado.
Na oficina o mecânico descobriu mais um problema, o filtro de óleo que estava na Falcon era tão safado que o retentor dele havia se soltado e estava travado o fluxo de óleo. Isto é, foi muita sorte não ter fundido o motor naquele estado (vale lembrar que o filtro também foi trocado dois dias antes da viagem). Depois da manutenção voltamos para o hotel carregar as malas nas motos. Não são poucas malas, deem uma pequena olhada nas fotos a seguir.
Depois de tudo organizado, pegamos estrada sentido
Uspallata, uma cidade situada nas cordilheiras.
Despois de algum tempo de viagem já era possível ver ao longe montanhas brancas em contraste com o céu azul. E era exatamente por isso que eu desejava tanto conhecer esta parte do mundo! Paramos para tirar algumas fotos e apreciar a paisagem.
Quilômetros a frente nos deparamos com um enorme lago azul. Um azul inacreditável, que nem de longe as fotos conseguem representar a majestude daquele lago ao pé das cordilheiras (~1000m de altitude).
Durante todo este trajeto as paisagens são extraordinárias, nada deixa a desejar. A estrada é repleta de belas curvas, se fosse apensa um passeio de final de semana como os do “World Cup Morungaba” com certeza passaríamos por momentos de muita adrenalina rsrs
Rafiting nos Andes parece ser animal!! (quero ver você aqui Diogo rsrs)
As fotos não são nada comparadas a sensação de estar presente nesta incrível paisagem.
Quando chegamos em
Uspallata resolvemos ir. Mais uma vez nosso cardápio era carne com fritas, estou começando a ficar com saudades de um arroz com feijão e uma Coca-Cola de verdade, pois a versão Argentina do refrigerante é muito ruim.
Após o almoço fomos abastecer as motos. Neste momento encontramos um grupo de motoqueiros argentinos que estavam indo para a
Ponte dos Incas. Estava em nossos planos passar por lá, mas como não conhecíamos o caminho resolvemos acompanhar o grupo. O que não durou muito, pois queríamos parar para tirar umas fotos e eles não. Ficamos para trás e eles seguiram viagem.
Sem nenhum sinal de aviso, inesperadamente, depois de uma curva as coisas ficaram brancas! Não, eu não tinha batido a cabeça, mas a neve tinha chego. A primeira impressão foi impressionante, realmente impressionante! Não rodamos muito e encontramos um pequeno vilarejo com pontos para esquiar e alguns teleféricos que levavam os turistas para o topo. Valeu cada centavo pagar $100 pesos para subir e ter uma visão privilegiada.
Essa foto foi tirada a 2800m, mais pra frente chegamos a 3300m
Inacreditavelmente havia um hotel com piscina a céu aberto, provavelmente a água deveria ser aquecida e para quebrar o vento eles colocaram uma parede de vidro em volta da piscina. Isso sim deve ser legal :-)
Nossa próxima parada foi a
Ponte dos Incas. Em minha opinião aquilo se parece mais com uma prisão do que com uma ponte. Talvez eu estivesse mais emocionado com as outras paisagens e por isso não dei tanta atenção a isso.
Percorremos mais um trecho e paramos para tirar fotos na entrada do
Parque do Aconcágua. Ainda pretendo um dia fazer uma expedição só para este ponto turístico! Tiramos algumas fotos rápidas e seguimos viagem, como o sol estava indo embora começamos a ficar preocupados só de pensar de ter que ficar a noite naquela estrada. Nesse momento da viagem a altitude já estava fazendo muito efeito, a cabeça começava a pesar mais, as motos começavam a falhar muito, e os músculos do corpo pareciam muito cansados.
Ainda tínhamos que atravessar a fronteira naquele dia e chegar a
Los Andes para passar a noite. Quando chegamos na fronteira descobrimos que a alfandega não ficava no mesmo local devido a altitude, e a mesma ficava um pouco mais abaixo.
Chegando à alfandega pegamos um processo burocrático para preencher a documentação de saída da Argentina e entrada no Chile. Foi neste momento que meu pai começou a passar mal e vomitar. Ele teve que ir tomar oxigênio, pois até então todos os sintomas eram causado pela altitude do local, mas não foi assim que aconteceu.


Percorremos os famosos
Los Caracoles um tanto quanto rápido, por isso não consegui tirar muitas fotos. Quando parei para tirar uma foto e cheguei próximo do meu pai percebi que ele estava vomitando novamente e reclamando de dores fortes na barriga. Comecei a estranhar, mas como também não estava muito bem acreditava que poderia ser a altitude. Quando paramos ele disse que sua barriga estava dura, eu realmente achei muito estranho e começamos a procurar um médico. Logo ficamos sabendo que o médico mais próximo estava a 20km da li, voltamos para a estrada e começamos a acelerar ainda mais. Depois de muito custo chegamos ao hospital e como não tinha entrada para estacionamento a vista paramos na entrada de pedestre da frente. Para nossa surpresa esse lado do hospital fica desativado depois de um determinado horário. Começamos a dar a volta, mas meu pai não estava mais conseguindo andar, o deixei deitado no banco enquanto fui buscar ajuda. Achei um segurança que me mandou a volta novamente e entrar pela emergência, com muito custo consegui explicar e ele foi buscar ajuda. Quando a enfermeira chegou, tomei tanta comida de rabo por não ter usado a entrada de emergia que se meu pai não estivesse precisando de ajuda tinha mandado ela pro inferno. Enquanto ele começou a ser atendido fui fazer sua ficha. Foi um sacrifício. Eu não entendia a mulher, ela não me entendia e eu já estava irritado. Na sala que meu pai estava devia fazer estar fazendo uns 30 graus e ele morrendo de frio!
Nesse momento eu já estava bem preocupado como as motos estacionadas na porta do hospital carregadas de bolsas. Decidi leva-las para o fundo do hospital, tentando chamar menos atenção das pessoas, o que já era praticamente impossível nesse momento. Estacionei as motos no fundo do hospital e quando retornei meu pai estava sendo preparado para tomar soro. Pensei em perguntar o que iriam ministrar nele, mas decidi nem tentar, pois vi que estava tudo escrito em um papel e depois tentaria decifrar o que estava escrito.
Mesmo com as motos no fundo do hospital eu estava preocupado, e como já tinha visto um hotel que parecia ser bom ha umas duas quadras dali, resolvi deixar ele ser atendido enquanto eu arrumava um hotel para deixar as motos e os equipamentos em segurança.
Andei um pouco pela cidade e não vi uma opção melhor por ali. O hotel custava $130,00 (dólares) a diária. Acertei com a recepcionista, descarreguei uma moto, voltei para o hospital, troquei de moto, retornei novamente ao hotel e a descarreguei. Voltei correndo a pé para o hospital, chegando lá vi que o soro já tinha terminado. As enfermeiras não estavam muito preocupadas, e estavam brincando de jogar uma bolinha de borracha uma pra outra (aquelas que pulam muito e custam R$ 0,50). Um enfermeiro veio me informar que meu pai estava de alta, mas como estava dormindo preferi aguardar ele descansar ali mesmo. Assim que meu pai acordou, passamos na recepção, pagamos o atendimento $28500 (pesos chilenos) e nos dirigimos ao hotel, onde ele pode deitar e dormir.
Ufffa esse dia foi muito muito longo.
Abraços e até o próximo post