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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Nota de Viagem


Galera,

Não consegui avisar a tempo, mas já retornamos de viagem. Não fiz os posts  últimos dias durante a viagem por problemas de acesso a internet, logística e tempo hábil. Entretanto em breve postarei as fotos e o diário dos últimos dias da viagem.

Abraços

domingo, 25 de setembro de 2011

12º Dia - De Chillán até Las Lajas


            Partimos de Chillán em direção ao sul sem saber exatamente em que ponto da cordilheira iriamos atravessar. Mas nosso objetivo era cruzar e alcançar a Argentina.

            Começamos a rodar por volta das 10h da manha. Após percorrer algum tempo resolvemos parar para abastecer e almoçar. Paramos em um posto de combustível onde havia três restaurantes, almoçar um restaurante legal seria bem agradável naquele momento. Entretanto, quando chegamos mais perto percebemos que os três restaurantes estavam fechados. Perguntamos ao frentista o motivo e ele nos disse que era feriado nacional e tudo estava fechado hoje. No Brasil um restaurante na beira da estrada abre todos os dias, independente de ser ou não feriado. Além de que em um feriado as estradas costumam ter mais movimento do que nos demais dias. Ficamos surpresos e decidimos procurar qualquer estabelecimento aberto.
O único estabelecimento aberto que encontramos não tinha muita coisa, para não dizer que não tinha nada. Depois de uma longa conversa eu pedi arroz e frango e meu pai pediu arroz e salada de maionese. No final do almoço tinha sobrado tanto o frango no meu prato, quanto à salada de maionese no prato dele, ambos não estavam aptos para o consumo. E isso não foi frescura, mas não dava para comer mesmo.


            Logo que voltamos a rodar começaram a aparecer no horizonte diversos picos, e a cada quilometro rodados nos aproximava mais deles. Estávamos desconfiados de que eram vulcões e depois de algum tempo vimos uma placa informando parada para observar vulcões. Paramos e subimos no observatório. Tentem imaginar a visão do alto do mirante para três vulcões. Estávamos vendo três arvores!! Exatamente na direção de cada vulcão tinha uma arvore posicionada na frente, tampando toda a visão.



            Após rodar algum tempo encontramos uma passagem nas cordilheiras que saia de Victoria (Chile) em direção a Zapala (Argentina). No mapa a estrada apontava para Neuquem, uma grande cidade na Argentina, que estava em nosso roteiro inicial. Pegamos a saída, uma estada boa de uma única faixa, cheia de curvas, subidas e decidas. Fizemos uma parada para tirar fotos do vulcão (já bem longe do observatório).






Mas pra frente, na mesma estrada encontramos outro observatório. O mirante estava bem desgastado, mas dava uma boa visão para os vulcões e tiramos algumas fotos de lá.





            Continuando na estrada, muitos quilômetros a frente, começamos a encontrar neve nas bordas do asfalto, estávamos chegando perto das cordilheiras. Paramos para tirar foto de uma ponte de madeira que cruzava um rio. Pouco antes de tirar as fotos na ponte resolvemos beber a agua do rio, mas a agua estava tão gelada que mal consegui ficar com a mão submersa alguns segundos. Pensei que meus dedos iam se desgrudar a cair da minha mão, naquele momento já não estava sentindo mais nada rsrs



A ponte era totalmente insegura, ficava balançando e dava até pra ver o rio pelos buracos na estrutura de madeira.


            De volta a estrada passamos por muitas pousadas, retiros e vilarejos nas montanhas, todos muito bonitos nas montanhas, retiros e tudo mais, alguns vilarejos muito bonitos. Fiquei até pensando que não seria má ideia se esconder em algum lugar daqueles. Mais a frente nos deparamos com um túnel de uma faixa bem estreito. O túnel tinha 4,5km, mas quando saímos do outro lado à paisagem era totalmente outra, com muita neve e muito mais frio. Como estávamos a 1200 m de altura em relação ao nível do mar sabíamos que aquilo seria só o começo da brincadeira.




            Decidimos passar a noite na ultima cidade do Chile antes da fronteira, pois estávamos com pouco combustível e já era 16h. A cidade era muito bonita, bem organizada, quase um ponto turístico. Dentro da cidade, no posto de combustível não aceitavam cartão de credito e como não tínhamos nem 10 pesos no bolso, fomos obrigados a procurar uma pousada e tentar encontrar um banco para sacar dinheiro. Achamos uma única pousada que encontramos não aceitava cartão. Decidimos ir ao banco e sacar, mas não conseguimos! Contando todas as moedas reunimos um total de 8 pesos! Como a Falcon estava quase sem nenhum combustível e não tínhamos lugar para dormir no meio das cordilheiras, resolvemos os oito pesos de combustível na moto do meu pai e tentar chegar na Argentina na esperança que tivesse algum posto de combustível que aceitasse cartão. A distancia até a fronteira naquele momento era de aproximadamente 100 km.










            Começamos a andar em um ritmo mais acelerado, pois estávamos correndo contra o tempo. Chegamos na fronteira e desta vez a aduana do Chile ficava a 20km da aduana da Argentina. Fizemos os tramites legais e saímos para o cume das cordilheiras. Nessa parte do percurso havia muito mais neve e a paisagem estava maravilhosa.



















            Do outro lado da fronteira, um brasileiro trabalhava na aduana da Argentina. Desta maneira os tramites legais foram bem mais simples e voltamos para a estrada rapidamente. Neste momento o sol já estava se ponto e ainda tínhamos que abastecer.


            Percorremos cerca de 50 km até uma cidade chamada Las Lajas. Como não tínhamos muitas opções decidimos tentar alguma pousada na cidade. A cidade estava totalmente deserta, não tinha nada e estávamos com receio em relação a nossa segurança. Com certeza se tivéssemos opção iriamos para outra cidade.
Tentamos parar um pedestre para perguntar se havia algum hotel na cidade, mas a pessoa praticamente saiu correndo. Por sorte uma pessoa que passava de carro escutou a nossa conversa e resolveu nos guiar até o hotel (provavelmente o único naquele vilarejo). Para nossa alegria o hotel aceitava cartão de credito.
O hotel era basicamente um “puxadinho” na casa do proprietário. Colocamos as motos na garagem da casa e dirigimos para o quarto. Estranhamente no nosso quarto havia uma pequena cozinha com fogão e geladeira, e o nosso café da manha do dia seguinte já estava lá. Agua para esquentar, café solúvel e bolacha de água e sal com algum tipo de geleia. Como estávamos com fome, jantamos o nosso café da manha e fomos dormir.

Ps.: Esta cada vez mais difícil achar tempo, computador e internet para poder postar.

Abraços

terça-feira, 20 de setembro de 2011

11º Dia - De Rancagua até Chillán


Levantamos cedo e seguimos pela rota 5 sentido sul. Ainda não tínhamos muita previsão de quanto iríamos rodar no dia, pois dependeria do estado de saúde de meu pai.

Sol forte e poucas nuvens e a cordilheira a nossa esquerda fazia uma paisagem extraordinária. Depois de termos percorrido cerca de 50 km percebemos que aquele Sol estava nos iludindo. Mesmo com luvas minhas mãos estavam congelando, uma pequena abertura na jaqueta junto ao meu pescoço estava permitindo entrar um vento congelante. Com a moto parada o termômetro marcava 15º graus. Durante uma parada rápida colocamos o forro interno nas jaquetas e decidimos que quando parássemos para almoçar iríamos colocar a calça da segunda pele.



Assim que voltamos a rodar nos deparamos com a estrada bloqueada. Um grave acidente com um caminhão tinha bloqueado a via. Neste momento tínhamos duas opções: ou iríamos esperar as autoridades retirar o caminhão, ou procurar um caminho alternativo.

O acidente tinha acontecido a pouco tempo, provavelmente a menos de duas horas, ainda tinham feridos sendo socorridos na pista e bombeiros cortando ferragem para retirar outros.

Como não conseguiríamos ficar parados, rodamos um pouco e conseguimos passar o bloqueio da estrada.



Demoramos a descobrir que estávamos em um feriado prolongado aqui.

Paramos para almoçar e colocar a tão esperada roupa de frio. Teoricamente almoçamos uma sopa de algum tipo de fruto do mar, mas na pratica parecia mais um suco do que uma sopa.

Tomamos nossa sopa (ou suco) e enquanto meu pai foi no banheiro se trocar no banheiro eu pedi um café. A idéia era que o café me ajudasse a me esquentar ao mesmo tempo em que me desse uma acordada. Depois de uns 5 minutos a garçonete colocou a xícara sobre a mesa. Eu olhei para a xícara e não vi nada, parecia estar vazia... Olhei novamente para ter certeza que estava realmente vazia, mas na duvida resolvi colocar discretamente a mão dentro para ter certeza de não estar louco. Confirmei, a xícara realmente estava vazia. Logo fiquei me indagando se tinha pedido algo errado, ou alguém estava me sacaneando. Depois de algum tempo a garçonete voltou em minha direção com uma jarra. Uffa, ela estava vindo com o café eu não estava louco. Mas quando ela começou a servir percebi que era apenas água! Quando ela foi embora fiquei olhando, senti o odor e conclui que era água pura. Comecei a rir, eu realmente achava que alguém estava me sacaneando naquele momento. Foi quando a garçonete voltou e me explicou que na mesa havia um sache, junto com os de açúcar, que era de café e eu só tinha que misturar. Estava dando tanta risada que até começou a rir junto, provavelmente me achando um idiota rsrs.

Assim que meu pai terminou de se trocar eu me dirigi ao banheiro para colocar a roupa de frio. Quando percebi que o banheiro tinha fechado para limpeza, em plena hora de almoço! Resumindo eu teria que passar frio nas pernas por mais algum tempo.




Continuamos a viagem e na saída para Chillán paramos no pedágio. A caixa perguntou se já havíamos pagado algum pedágio, respondemos que sim e consecutivamente ela pediu o comprovante. Como tínhamos jogado fora fomos obrigados a pagar novamente o pedágio. Com isso aprendemos que no Chile se você paga pedágio na estrada não precisa pagar pedágio nas saídas laterais se apresentar o comprovante de pagamento.

Quando chegamos a Chillán percebemos que a cidade estava praticamente “morta”, acho que nunca tinha visto uma cidade assim antes. Encontramos um hotel para nos hospedar e ficamos no mesmo até o dia seguinte. Eu até pensei em sair a pé para conhecer mais, mas era impossível, pois não havia uma alma viva na rua.

A saída da cidade no sentido Norte fica a 6 km da saída da cidade sentido Sul da mesma rodovia. Fiquei meio sem entender o motivo disso já que a estrada possui duas faixas em cada sentido.

Definitivamente, levem computador na viagem de vocês! Me arrependi amargamente de não ter trazido.

Amanha tentaremos atravessaremos as cordilheiras novamente!
Abraços 



10º Dia - Rancagua

Esse dia foi bem calmo, levantamos mais tarde, e como meu pai ainda não estava em boas condições decidimos ficar parados um dia a mais.

Enquanto meu pai ficou descansando no hotel resolvi dar um passeio a pé para ver o que existia por perto e tentar conhecer a cidade melhor. Depois de algum tempo acabei percebendo que Rancagua (que é uma cidade no interior do Chile) também tem uma "25 de Março" como a cidade de São Paulo. 

A cidade é composta de muitos camelos e pequenos shoppings. Mas, a minha maior surpresa, a maior parte dos produtos não passa de "tranqueiras" ou produtos de baixíssima qualidade. Por todos os lados que andei o movimento de pessoas é bem grande, e fiquei com receio de usar minha câmera fotográfica neste local.

Um fato bem interessante que nos chamou a atenção durante a viagem pelo Chile é que toda a população parece ser bem patriota. Em praticamente todos os carros e casas (mesmo as mais remotas ou pequenas) tem uma bandeira do Chile. Em Rancagua boa parte dos camelos só vendia bandeiras do Chile, de todos os tamanhos e formas, para carros, mastros outro dispositivo. Alguns carros têm uma faixa com as cores do Chile que saem do canto superior do pára-brisa até o símbolo do fabricante do carro que fica na grade de ar do carro, até fiquei pensando na dificuldade extra que é dirigir um veiculo assim.

domingo, 18 de setembro de 2011

9º Dia - De Los Andes até Rancagua

Nesse dia, acordamos um pouco mais tarde e resolvemos seguir em direção ao Sul. Mudamos o roteiro e decidimos não passar nem por Valparaíso nem por Santiago, desta maneira pegamos a rota 5 sentido sul. 

Demoramos algum tempo até perceber que o GPS não estava traçando rotas dentro do Chile e quando nos demos conta estávamos em Santiago. Paramos para pedir informações e vimos que tínhamos percorrido 30 km na direção errada e teríamos que voltar esse percurso. Meu pai ainda estava com muita dor, e ficar errando assim não ajudava.

Santiago é muito parecido com São Paulo, incluindo até uma avenida de quatro faixas marginal a um rio. A  diferença, neste ponto, em relação às marginais de São Paulo é o fluxo do rio, que aqui é quase inexistente.








A cada quilometro percorrido a cidade de Santiago se tornava cada vez mais parecida com São Paulo. O transito na marginal chegou a parar totalmente por congestionamento. O transito foi um sacrifício, principalmente pelo fato de que aqui os motoristas não costumam respeitar os motociclistas. Depois de algum tempo conseguimos sair de Santiago pela rota 5 sentido sul.

Depois de algum tempo rodando começamos a procurar um hotel. Meu pai ainda estava sentindo muita dor e era melhor não forçar muito. 

Entramos na cidade Rancagua. Paramos em um hotel na rua principal, descarregamos os equipamentos e estacionamos as motos. Sai para comprar água para meu pai pudesse tomar os remédios. E para meu espanto, não tinha adivinha nem no hotel. Só fui encontrar água em um mercado. Tive sorte de encontrar uma lan house do outro lado da rua para poder atualizar o blog.

Fomos dormir sem ter certeza se meu pai estaria melhor para prosseguir viagem no dia seguinte.

Abraços até o próximo post.

ps.: Os posts nem sempre vão pro blog na mesma hora em que escrevo. As vezes demora o upload de imagens ou algo do tipo, e o post acaba sendo publicado mais tarde pelo David.

8º Dia - Los Andes

Nesse dia resolvemos ficar parados na cidade e não rodar. Meu pai não estava em condições de levantar da cama e passou o dia deitado sentindo dores no abdômen. Conversamos com minha mãe por telefone e ela recomendou que ele passa-se a tomar antibiótico e Novalgina, estamos acreditando que ele esteja com algum tipo de infecção intestinal provavelmente devido a alguma comida ruim ingerida pelo caminho e que o problema foi ampliado pela grande altitude das cordilheiras. Como ninguém aqui é médico e o atendimento daqui não é dos melhores, essa foi nossa melhor opção no momento.

Enquanto meu pai ficou no hotel eu sai a pé para comprar algo leve, como bolachas, para ele comer. Deu pra perceber que a cidade era bem diferente do que estávamos acostumados. Outro fato interessante é que durante o tempo que fiquei só consegui ver apenas uma moto andando e outra parada. 

Os motoristas não costumam respeitar nada além do semáforo. A grande maioria das ruas só é possível passar apenas um carro por vez. E mesmo assim os milhares de taxistas param em qualquer lugar para pegar ou descer o passageiro, e se a gente passa pela ao lado do veiculo nesse momento eles reclamam. E para complementar isso, se por acaso agente não desse passagem para os taxistas em algum dos milhares de cruzamentos sem semáforo eles buzinam. Minha opinião pessoal, um tanto quanto preconceituosa talvez, é que tanto no Brasil quanto no Chile os taxistas não costumam respeitar muito os motociclistas. Mas como no Brasil existem os motoboys tem fama de quebrar retrovisor de motoristas mal educados no transito os taxistas são muito mais comportados.

Em algum momento do dia eu estava com fome e precisava comer algo. Resolvi apostar no básico, não tinha como um cachorro-quente ser muito diferente do que eu já estava acostumado a comer. Claro que estava totalmente errado. O cachorro-quente veio com salsicha branca, uma pasta de tomate sem tempero, cebola e maionese. Detalhe, eu pedi o completo rs

Ao retornei para o hotel percebi que meu pai ainda estava com muita dor e com o abdômen endurecido. Quando ele dormiu fiquei assistindo o filme do Escorpião Rei em Castelhano antes de dormir também.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

7º Dia - De Mendonza até Los Andes

7º dia, o dia que cruzamos a cordilheira.


O 7º dia começou com um belo café da manha no hotel e a sensação de falta por não ter trazido um laptop. Até agora todos os hotéis e até alguns postos nas estradas tinham Wi-Fi aberto, seria bom poder atualizar o blog com mais frequência e não ter que ficar fazendo anotações no papel para não esquecer nada.

Após o café da manha fomos para a porta da oficina esperar ela abrir. Dessa vez o mecânico não teria como fugir. Pois no dia anterior ele tinha fugido pelos fundos. Hoje estávamos esperando ele abrir pela porta dos fundos rsrs... Compramos os rolamentos, e enquanto meu pai ficou aguardando ele trocar fui dar uma volta e conhecer um pouco mais da cidade.




Ao andar pela cidade quase cair em uma das muitas valas. Em muitas ruas o canteiro (também conhecido como meio fio) é um buraco relativamente fundo. Até agora, durante todo o percurso que fizemos pela Argentina, a população param os veículos sobre a calçada, e aqui não iria ser diferente, apenas com um pouco mais de cuidado.











Na oficina o mecânico descobriu mais um problema, o filtro de óleo que estava na Falcon era tão safado que o retentor dele havia se soltado e estava travado o fluxo de óleo. Isto é, foi muita sorte não ter fundido o motor naquele estado (vale lembrar que o filtro também foi trocado dois dias antes da viagem). Depois da manutenção voltamos para o hotel carregar as malas nas motos. Não são poucas malas, deem uma pequena olhada nas fotos a seguir.






Depois de tudo organizado, pegamos estrada sentido Uspallata, uma cidade situada nas cordilheiras.

Despois de algum tempo de viagem já era possível ver ao longe montanhas brancas em contraste com o céu azul. E era exatamente por isso que eu desejava tanto conhecer esta parte do mundo! Paramos para tirar algumas fotos e apreciar a paisagem.






    Quilômetros a frente nos deparamos com um enorme lago azul. Um azul inacreditável, que nem de longe as fotos conseguem representar a majestude daquele lago ao pé das cordilheiras (~1000m de altitude).





Durante todo este trajeto as paisagens são extraordinárias, nada deixa a desejar. A estrada é repleta de belas curvas, se fosse apensa um passeio de final de semana como os do “World Cup Morungaba” com certeza passaríamos por momentos de muita adrenalina rsrs







Rafiting nos Andes parece ser animal!! (quero ver você aqui Diogo rsrs)










As fotos não são nada comparadas a sensação de estar presente nesta incrível paisagem.

Quando chegamos em Uspallata resolvemos ir. Mais uma vez nosso cardápio era carne com fritas, estou começando a ficar com saudades de um arroz com feijão e uma Coca-Cola de verdade, pois a versão Argentina do refrigerante é muito ruim.




Após o almoço fomos abastecer as motos. Neste momento encontramos um grupo de motoqueiros argentinos que estavam indo para a Ponte dos Incas. Estava em nossos planos passar por lá, mas como não conhecíamos o caminho resolvemos acompanhar o grupo. O que não durou muito, pois queríamos parar para tirar umas fotos e eles não. Ficamos para trás e eles seguiram viagem.








Sem nenhum sinal de aviso, inesperadamente, depois de uma curva as coisas ficaram brancas! Não, eu não tinha batido a cabeça, mas a neve tinha chego. A primeira impressão foi impressionante, realmente impressionante! Não rodamos muito e encontramos um pequeno vilarejo com pontos para esquiar e alguns teleféricos que levavam os turistas para o topo. Valeu cada centavo pagar $100 pesos para subir e ter uma visão privilegiada.





 Essa foto foi tirada a 2800m, mais pra frente chegamos a 3300m







Inacreditavelmente havia um hotel com piscina a céu aberto, provavelmente a água deveria ser aquecida e para quebrar o vento eles colocaram uma parede de vidro em volta da piscina. Isso sim deve ser legal :-)

Nossa próxima parada foi a Ponte dos Incas. Em minha opinião aquilo se parece mais com uma prisão do que com uma ponte. Talvez eu estivesse mais emocionado com as outras paisagens e por isso não dei tanta atenção a isso.


Percorremos mais um trecho e paramos para tirar fotos na entrada do Parque do Aconcágua. Ainda pretendo um dia fazer uma expedição só para este ponto turístico! Tiramos algumas fotos rápidas e seguimos viagem, como o sol estava indo embora começamos a ficar preocupados só de pensar de ter que ficar a noite naquela estrada. Nesse momento da viagem a altitude já estava fazendo muito efeito, a cabeça começava a pesar mais, as motos começavam a falhar muito, e os músculos do corpo pareciam muito cansados.







Ainda tínhamos que atravessar a fronteira naquele dia e chegar a Los Andes para passar a noite. Quando chegamos na fronteira descobrimos que a alfandega não ficava no mesmo local devido a altitude, e a mesma ficava um pouco mais abaixo.




Chegando à alfandega pegamos um processo burocrático para preencher a documentação de saída da Argentina e entrada no Chile. Foi neste momento que meu pai começou a passar mal e vomitar. Ele teve que ir tomar oxigênio, pois até então todos os sintomas eram causado pela altitude do local, mas não foi assim que aconteceu.




Percorremos os famosos Los Caracoles um tanto quanto rápido, por isso não consegui tirar muitas fotos. Quando parei para tirar uma foto e cheguei próximo do meu pai percebi que ele estava vomitando novamente e reclamando de dores fortes na barriga. Comecei a estranhar, mas como também não estava muito bem acreditava que poderia ser a altitude. Quando paramos ele disse que sua barriga estava dura, eu realmente achei muito estranho e começamos a procurar um médico. Logo ficamos sabendo que o médico mais próximo estava a 20km da li, voltamos para a estrada e começamos a acelerar ainda mais. Depois de muito custo chegamos ao hospital e como não tinha entrada para estacionamento a vista paramos na entrada de pedestre da frente. Para nossa surpresa esse lado do hospital fica desativado depois de um determinado horário. Começamos a dar a volta, mas meu pai não estava mais conseguindo andar, o deixei deitado no banco enquanto fui buscar ajuda. Achei um segurança que me mandou a volta novamente e entrar pela emergência, com muito custo consegui explicar e ele foi buscar ajuda. Quando a enfermeira chegou, tomei tanta comida de rabo por não ter usado a entrada de emergia que se meu pai não estivesse precisando de ajuda tinha mandado ela pro inferno. Enquanto ele começou a ser atendido fui fazer sua ficha. Foi um sacrifício. Eu não entendia a mulher, ela não me entendia e eu já estava irritado. Na sala que meu pai estava devia fazer estar fazendo uns 30 graus e ele morrendo de frio!
Nesse momento eu já estava bem preocupado como as motos estacionadas na porta do hospital carregadas de bolsas. Decidi leva-las para o fundo do hospital, tentando chamar menos atenção das pessoas, o que já era praticamente impossível nesse momento. Estacionei as motos no fundo do hospital e quando retornei meu pai estava sendo preparado para tomar soro. Pensei em perguntar o que iriam ministrar nele, mas decidi nem tentar, pois vi que estava tudo escrito em um papel e depois tentaria decifrar o que estava escrito.
Mesmo com as motos no fundo do hospital eu estava preocupado, e como já tinha visto um hotel que parecia ser bom ha umas duas quadras dali, resolvi deixar ele ser atendido enquanto eu arrumava um hotel para deixar as motos e os equipamentos em segurança.

Andei um pouco pela cidade e não vi uma opção melhor por ali. O hotel custava $130,00 (dólares) a diária. Acertei com a recepcionista, descarreguei uma moto, voltei para o hospital, troquei de moto, retornei novamente ao hotel e a descarreguei. Voltei correndo a pé para o hospital, chegando lá vi que o soro já tinha terminado. As enfermeiras não estavam muito preocupadas, e estavam brincando de jogar uma bolinha de borracha uma pra outra (aquelas que pulam muito e custam R$ 0,50). Um enfermeiro veio me informar que meu pai estava de alta, mas como estava dormindo preferi aguardar ele descansar ali mesmo. Assim que meu pai acordou, passamos na recepção, pagamos o atendimento $28500 (pesos chilenos) e nos dirigimos ao hotel, onde ele pode deitar e dormir.


Ufffa esse dia foi muito muito longo.

Abraços e até o próximo post